a twin me pediu pra fazer um texto, que eu fiz com muito prazer.
Estranhamente, ele não tem mais nada a ver com a situação dela, e muito menos com a minha, mas seria trabalho desperdiçado se eu não postasse aqui
De qualquer jeito, ainda me sinto fora da humanidade, a demora pra postar é claro,
foi erro humano.
Sonhos de quem dorme acordado
Ele esta do outro lado do espelho. Sabe se lá quantas vezes já escrevi isso.
Ela, entretanto, esta do outro lado dos olhos dele.
Sim, ela é um anjo. E eu a invejo por isso.
Seu cabelos loiros e brilhantes como o sol o evidenciam, seus olhos azuis ,da cor do céu, as mãos pequeninhas e a compreensão gigantesca.
Sim, ela é o anjo dele, e de anjos eu entendo muito bem, já que sempre fecho os olhos na esperança de encontrar algum quando abri-los.
Ele é uma presença indistinta no fundo de minha mente. Sempre lá, cravado na pele.
Ele é um anjo. Um anjo caído.
Esse é um mundo de coisas impossíveis.
Fazem 365 noites.
Fazem 365 noites que eu não durmo.
I – Juntos.
Eu nunca a vi. Sinto os dedos formigando nas mãos, meu coração se enche de agonia.
Não consigo parar de pensar naquilo.
Naquilo dela ser meu anjo.
Nunca acreditei muito nessas coisas. Coisa de gente fraca. Fantasia.
Eu sinto a falta dela. Ela devia estar aqui. Ela sempre está.
Não consigo mais e escrevo. As palavras surgem estranhas sob a tela, mas eu já as conhecia, desde que vi os olhos dela.
Sim, os olhos. A alma.
Talvez anjos do céu não existam, mas me sinto orgulhoso. O meu existe. Tem nome; tem medo.
Não sei quando vai voltar, não conto nem a mim mesmo mas cronometro os segundos. Escondo de mim, mas é mais forte, mais forte que esse amor barato de poetas. Ela é a força que bombeia o sangue por entre as minhas veias. Ela é o motivo por elas ainda terem sangue para bombear.
E esse mundo é impossível, e eu não quero perde-la. Finjo que não percebo, finjo que não ligo, mas eu vejo.
Estendo a mão; Não vá. Eu digo, no silêncio de minhas palavras. Meus dedos formigantes não a alcançam, quero a morte deles por não a alcançar.
Porque, me diga, nossos dedos nunca se encontram?
Se eu morrer, e for ruim de mais, pro seu mundo de anjos, você iria me buscar?
Sei que já estaria lá.
você sempre está.
Também finjo que não vejo, as lágrimas que te fiz chorar. Lagrimas de anjo. Poderosas. São a gravidade que me mantêm na Terra. Mas me calo. Sentimentos não devem ser ditos por ninguém.
Tranquei- os todos por dentro, eles sempre tentam sair. você tem a chave.
Nego;mas você tem a chave.
Eu finjo, não somos todos belos atores?
não te desejo um eu te amo.
Eu te desejo...
Possibilidades.
Apenas um toque. O toque das asas do meu anjo.
II – Separados
Ele é um anjo. Exatamente por não acreditar nisso. Eu queria ser um anjo. Se eu for, então é isso.
Meus dedos não estão tremendo, nem minha mente funcionando. Ela é um relógio quebrado, não consegue se concertar sozinha.
Se felicidade é um estado de espírito, então o meu encontra-se fascinado. Fascinado pela possibilidade de um dia sentir aquilo. Me sinto no lugar errado. Com a cabeça voando e as mãos bobas, essas nunca mais voltaram ao lugar. Não essas mãos. Não essa cabeça. Não essa minha velha e nova versão, desse ‘quem sou eu’
Entre nós não existem palavras, se estamos juntos mas irremediavelmente separados.
Sentamo-nos separados. fingi que não vi.Você fingiu que não viu.
Mas juntos.fingimos juntos. Escolhemos juntos.
Tento negar que eu escolhi. Também tento negar de que eu preciso, alguns segundos e
umas poucas palavras. Uns segundos no ultimo passo, antes de dar aqueles que vem depois dos próximos primeiros.
Juntos na mente um do outro. Um na plataforma e outro no trem. Nunca juntos.
Deve ser esse o motivo das lágrimas caírem separadas. Será que ao morrerem na boca almejam se encontrar?
Não entendo nada de anjos.
Não entendo nada de seres humanos como eu. Sem existir no próprio lugar.Gosto de fingir que não sinto. Já que é erro sentir.
Humanos não sentem. Humanos não sonham.
Devo ser algo perto de anjo. Algo perto de você.
Ainda bem que não escutas quando eu chamo. Então não podes escutar isso. Eu escuto quando me chamas
sempre volto os ouvidos, pra você. E daí nasce meu ódio dos silêncios. Ou de minha improvável surdez.
Extrai-se do morango o seu vermelho, mas este é tão artificial quanto batom de cereja. Falso. Ninguém sabe, os belos atores que somos. Quem sabe não sou só eu que atuo? Nunca gostei de teatros
Longe do céu, e o apito apita, ele corre pra baixo, não adiante, não necessita.
Eu ensaio alguns ‘adeus’ . Na despedida não sai nada.
Não sobrou nada pra dizer.
E se eu fechar os olhos, quando eu abri-los, você vai aparecer?
Quando eu tornar a fechá-los, ambos vamos desaparecer?
Tenho essa curiosa sensação. De tudo ser verdade e da verdade ser mentira.Tudo foi mentira e por isso foi verdade.
Eu devo mesmo ser anjo. Anjo como você.
Anjo não tem par. As lágrimas se abraçam por trás dos olhos, e por isso, as suas não caem. Não precisam cair e encontrar as minhas. Anjo não ama.
Alguém disse que eu amei?
não sei o que é amar. Cabe ao coração prover.
Espera. Anjo não tem coração.
Não esse tipo de anjo.
Não eu. Não você.
procuro, já sabendo que nunca vou encontrar. Procurar algo que não existe, você disse ser besteira.
Juntos sendo só o que nos restou. Restou sermos separados
Somos pó. Eu. E você.
III – dormindo.
Somos humanos. E eles humanos. Cinzas. Somos todos.
Preto misturado no branco.
O pecado do amor
Na benção da dor.
Humano é ser anjo.
É sonho de louco.
Escrito nas asas de um corvo.
Borboletas não vooam.
Não ligam o junto, ao separado.
Acordo.
O amor é cinza, neste mundo de coisas impossíveis, eu só vejo cor.

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