domingo, 25 de dezembro de 2011

Uma nota rabiscada a giz imaginário

Hoje é Natal. Nada mais clichêm que isso. Poderia muito be ser o primeiro pensamento a me vir a cabeça nos primeiros segundos da manhã. Acordei revirando , noite mal dormida, culpa de um amor pra recordar, mortes de pessoas com câncer, lágrimas vendidas. a primeira coisa que escuto é a voz de minha mãe, perguntando com que parte da família gostaria de passar o natal, e meio dormindo meio acordada me pergunto se eu tenho mesmo alguma escolha. são nove da manhã, de um 25 de dezembro. O Sol fez o grande favor de grudar a boca na inha janela aberta e tudo que eu consigo fazer é grunhir e apertar aquela coisa que colocamos na cara contra a claridade sob meus olhos.Pois bem, meu primeiro pensamento fora as reclamações usuais, poderia ser, "oh, é natal. Nada mais clichê", mas não foi. Poderia ser porque de fato é mesmo mas, um céu azul limpido como se Deus tivesse acabo de pinta-lo de azul de novo, simplesmente me deixou sem falas. Nada nem remotamente parecido com a chuva e os trovões desconcertantes da noite anterior. sorri.
Devia ser de se esparar mesmo que o aniversário de Jesus começasse como um dia perfeito. Ok, não sejam estraga prazeres e digam que Jesus não nasceu dia 25 de dezembro e que a data  é meramente comercial, ou meramente um solstício de verão ( ou seria inverno?) Não sei. Fato é que levantei da cama, vestida de mau humor e comi uma pipoca velha como café da manhã. fiquei. E de consenso comum, universal, Natal é data de se passar com a família e o que me esperava era incerto mas positivamente desanimador. Preenchi as próximas 2 horas e meia de minha vida com seriados da AXN de investigação policial. Gosto especialmente dessas séries e de como eu fico patetica dando uma de psiquiatra analítica tentando desvendar o que há por trás da mente dos criminosos fictícios das telas de Tv. Espero. Tomara que , sejam lá os motivos que te levaram a ler este texto, esperar uma grande escrita melodramática não seja uma delas. Perdi meu talento instantâneo assim que resolvi descrever um dia comum da mionha rotina animada de natal. Pensando bem, minha vida não é nem de longe a torrente de acontecimentos sobrenaturais que ela parece ser na minha mente. São somente dias. somente rastros áereos de vida. Anyway, não no natal. O natal é realmente muito importante. fiquei, e fico ,pensando. O natal podia durar  bem uns 3 meses e não só um dia.( o dia com a menor noite do ano, Oh God!) Nos dias de Natal o mundo parece diferente, mais calmo. As pessoas estão cheias de sorrisos, de benevolencia. elas parecem felizes, e até os mais secretamente depressivos, como eu, acomodam-se nas poltronas invisíveis que o aconchego das lareiras de amor proporcionam. Nada mais natalino que o silêncio de uma noite de natal. Ou um Pernil ou peru. Nada melhor do que um pedaço de panetone, cappuccino, café, chocolate quente. O Natal tem o poder de mudar as pessoas. porque? simplesmente por ser. Por chover e fazer frio, pelo sol nascer. Eu realmente adoro o natal. adoro tudo. Penso nessas coisas por todo o dezembro e deixo as gotas de orvalho pingarem na cabeça despreucupadamente, pensando nas pessoas, nas famílias. Nos sorrisos, nos bingos de natal. muito pouco nos presentes. ah, quem precisa realmente de presentes? O natal em si é lindo. é mágico. Tem um pouco, tem um tudo de Jesus por todo lado. Parece que as noites se santificam, que as estrelas brilham mais forte, mais alto. Eu me pego imaginando, enquanto entro no carro, ao Som de pink Floyd para bebês mais tarde, se os criminosos deixam pra lá seus crimes e se juntam ao redor de uma mesa, ceiam, rezam um pai nosso. Secretamente, eu desejo que sim. quem no fundo, no centro de suas almas, não é afinal, um criminoso?
Tudo parece cálido, lindo, limpo, em paz, nesses dias de natal. eu os adoro. O céu e as nuvens estão ainda mais mágicos e tudo que eu queria era sentar no banco de uma igreja e ouvir a tarde toda , umas palavras doces, um gostinho quente, um 'sonolear' gostoso sobre o nascimento de Jesus. sobre Jesus. Eu gostaria de falar com ele. Gostaria de lhe perguntar em que dia foi afinal, que ele nasceu de verdade. Queria dizer que ele é incrível. queria dizer que eu amo o natal. E que o céu de natal é lindo.
acabei passando o dia mais uma vez com a mamãe. O que não me surpreende. Uma vez ou outra na vida me canso e sou rebelde. sou mesmo. Faço o maximo que pessoas como eu fazem quando estão rebeldes. pinto as unhas de preto, detono no rimel, prendo o cabelo e prometo pra mim mesma que desta vez, vou guardar dinheiro e colocar esse bendito pircing ! Mas as coisas verdadeiras de rebelde, eu não faço. como sempre eu não disse nada, como sempre ignorei esses erros fatais que agente vê na familia nesses dias de natal. Nessas tais reuniões. Mas é natal , eu digo. eu repito. Um milhão de vezews, mais uma na minha cabeça. Estou voltando, mau humorada de novo, perdi meu celular. Bem, pra falar a verdade, não pode ser tão ruim assim. O céu está de tirar o fõlego essa tarde. Nesse fim de tarde quase noite. é natal. Deus acena pra mim de cima das núvens por baixo do Sol. Ele faz exatamente aquilo que Ele sabe que me desmancharia. Ele pinta o meu céu. Meu céu interior. aqueles céus que só existem nas telas a lá micheangelo. a lá Davinci. Ele pinta diante dos meus olhos. e aquilo não é tinta. aquilo é real. Penso em 'O céu está em todo lugar ' e sobre sentir falta de alguém que se foi. Penso em escrever um livro. Penso em pintar as paredes do meu quarto. Penso na bendita medicina e em como eu queria pintar uma tela. e depois volto a pensar que o céu é lindo e que Deus estava ali , olhando dentro de mim. O que ele vê? sei muito bem o que ele vê. mentira. Não sei de nada. Sei que o céu é lindo, que o natal é lindo, que já está de noite, que eu sinto fome. Sei que Deus , que Jesus, teve um belo dia de aniversário. Fecho os olhos. Ainda naquele fim de tarde. Neste fim de tarde. Sinto a paz. Eu sinto Deus. é Natal. Eu adoro os natais. Escrevo mentalmente com meu giz imaginário. Este céu é lindo. e eu queria viver pra sempre dentro  desta minha nota rabiscada ao vento. Quem sou eu? eu sou alguém que renasce no natal.

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