segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Gosto doce de páginas reescritas
Tem algo tão mágico por detrás dessas páginas, desses livros. Pode ser covardia, deve ser. Covarde. Sim, essas pessoas que se entregam, que gargalham, que choram, que conversam com letras azuis, com capas onde se tem céus desenhados. Covarde que foge da própria vida pra viver histórias de outros, ter outros nomes, outros rostos, outros amores. Alguns mais trágicos outros não. Alguns segundos de poder, alguns instantes mágicos em que apagamos dias, horas, em que apagamos falas; mensagens.
O que pode existir de tão especial por detrás do extase de virar uma página colorida, sem realmente querer vira-la pra que aquele momento não acabe. Eu adoro livros. Adoro. Eu adoro mergulhar dentro deles e saltar pra fora de mim mesma. Tomar os seus cafés, sentir as gotas de sua chuva, provar seus incontáveis beijos, ouvir todas as mudas músicas. Quero viver covardemente dentro destes livros que amei. que amo. Porque é dentro deles que eu me escondo quando chove. Mas eu também adoro a chuva. nos livros em que eu não preciso escolher, nem decidir por mim. eu posso ir a Londres, eu posso ir a França. Eu posso sonhar alto, tão alto, tão gigantemente que provavelmente acabei sendo aquela que derrubou um pedaço de lixo espacial na minha própria cabeça. quero não ser a Luciana. E ao mesmo tempo, quero sê-la. Quero coloca-la inteirinha dentro de mim, e me soprar pra fora do meu corpo. Sim, é disso que eu gosto. De eternizar a mesma sensação mil vezes, de novo, de novo, de relê-la quando ela passar. Que vontade assasina, louca, psicótica. que pensamento tolos e estupidos que passam pela minha mente idosa de milhões de anos. Das minhas mil vidas vividas dentro de páginas de livros. Leio. Releio. Ouço. rio, rio do fundo da alma, rio mesmo. A vida parece linda aqui de cima. Tão calma. ninguém precisa vir me libertar. Somente por alguns minutos. E não estou sozinha, e estou feliz. E não me importo com o que é verdade, com o que é mentira. Com a distância eterna de dois lábios. Com palavras que ferem. Nem com dor, nem com qualquer besteira que já deveria ter parado de me tirar o sono. sou só eu de novo. Feliz. Eu, meus livros, e meu coração repleto de palavras.
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