E não mais que de repente, o ar fugiu-me aos pulmões e fiquei muda. Não que , se pudesse abrir a boca pra gritar, teria dito alguma coisa. As vezes sinto que não tenho absolutamente nada pra falar.Provavelmente é verdade.
Fato é que, num rompante louco, insano, minhas narinas não captaram o ar, e a dose exigida que oxigêncio não veio. Além de muda, senti-me tonta, oca. Um estrela super nova, ou um buraco negro, não sei.
Já tentou ficar mais de um minuto sem respirar? provavelmente já brincou muito disso como eu. Também é fato de que talvz nem isso tenha conseguido, que tenha ficado roxo, rosa, que tenha perdido a cor.
Foi como numa dessas brincadeiras que me senti, hoje; agorinha mesmo. Sem ar. Não coo se propositalmente tivesse privado meus pulmões de todo seu trabalho, mas como se tivesse virado um peixe e simplesmente não fosse normal; correto;biológico de minha parte encher de trilhões e trilhões de atomos minha minuscula caixa toráxica.
Encostei a cabeça nas mãos, e sem ninguém ver, esperei que , talvez com muita sorte, a transformação em peixe fosse completa.
Meu coração doeu. ai, e como. Não sei que diabos é todo esse incômodo que nunca me deixa. é como Caio Fernando abreu que sabe que não pode voltar pra casa, não quer voltar pra casa, mas que não consegue chamar a nova terra, Lar. Me sinto tanto como ele. Presa numa cidade eternamente desconhecida ( não no sentido literal, ou talvez sim) , querendo por tudo, colocar meus pés em algum maldito terreno conhecido, e não sntir meu peito contrair milimetricamente, pra que ninguém mais saiba que ele está doendo além de mim.
Sinto um tanto quanto ódio, menos que isso, mas mais que raiva. Uma raiva tão grande! Uma raiva grande e única de mim mesma, que sei muito bem de toda a minha infinita estupidez. Minha constante, espero que não eterna falta de ar.
Me sentei e fiquei fitando as minhas mãos grandes e estranhas, por tanto tempo que as noções normais que damos para os instantes que passam mudaram.. poderiam ser segundos, mas pra mim pareceu-me certo que se tratava de uma vida.
São realmente coisas muito complicadas. Coisas de uma tristeza nada consistente. De coisas que agente não se orgulha quando nos afeta. Existem tantas coisas sérias para trazer dor, e ciente disso, tenho essa minha raiva profunda por me entristecer por coisas imutaveis, impossiveis. Por coisas exatamente iguais o movimento de rotação e translação da Terra. Coisas que eu não posso mudar com a força do meu braço; nem com a força do meu patetico pedido por milagres.
Não não, não sei de nada. Não sei de mais nada. Eu cortaria a minha lingua pra não ter que repetir mais uma vez, essas coisas que dentro de mim parecem tão sérias. São tão sérias. Causam uam descrensa grande, uma apatia, por saber que ninguém, ninguém mais, e ninguém mesmo, sabe o quanto elas são sérias pra mim.
E por serem pra mim, e por serem sérias. eu as guardo presas aqui dentro. como se conta-las fosse fazer com que meu rosto meio transfigurado pelo choque, aparecesse na tela de todas as televisões; no céu, na Terra, e até no inferno e todos contemplassem, e todos rissem, e então, da mesma forma óbvia que sintia antes e zelo para que nao sinta agora, a sensação de que todos sabem tudo isso, que é tão óbvio e tao insignificante na esfera universal.
e tudo isso que me deixa arrpendida.. Solitária apesar de tão querida..
Não sei porque tantos rodeios; fato é que, não mais que de repente fiquei sem ar. Foi rápido, meio que instantaneo. Nada poético, só triste. Hoje é um dia de se sentir triste.
Não só de sentir falta, mais de sentir-se meio desafortunado, meio que privado do dom maravilhoso do esquecimento. Privado de um cérebro, de um interior sem lesões.
eu queria poder, novamente, só por alguns segundos, talvez pra sempre. Acreditar em um milagre. E essas coisas não saem da minha cabeça... é porque eu sou estupida e estou sozinha nessa solidão comunitária, de arrancar os dentes. A tanto tempo, tanto tempo.
E você me vem sempre a mente disfarçado pra que eu não te enchote. Mas é mais que isso.
Sempre foi bem mais que isso. e eu soube disso de repente, não mais que de repente.
E de repente, eu sempre soube.
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