terça-feira, 31 de agosto de 2010
Canções Carnavalescas
Canções carnavalescas.
Obviamente, eu não poderia divagar sem acabar pensando nele. Impossível. Incoerente, irracional.
A lembrança das canções tomou-me a mente numa conhecida sensação. Mal pude perceber e quando dei por mim, a musica tocava em meus ouvidos, as notas dançavam vivas e tangentes em minha frente. Orgulhosas e penetrantes, a musica me batia com suas doces palavras, tomava minha consciência que em vão lutava, e já habituada a tal sensação, mergulhei desesperada nas recordações daqueles dias, dias em que eu amava o verão.
Estávamos sentados em um daqueles bancos de madeira bem comuns, depois de caminharmos ,travessos, por entre as árvores do pequeno bosque, minhas pernas descansavam meio mortas em seu colo, mas sentia-me perfeita, viva e descansada enquanto deitava minha cabeça em seu ombro.
Perdi a noção das horas naquele dia, sentada num banco sem tábuas, bem debaixo do Sol. Cantamos, cantamos, cantamos, cantamos para espantar a tristeza, cantamos para rir, cantamos nossas canções de amor.
Seus olhos brilhavam tanto que eu mal podia enxergar. Mas preferi tornar-me cega a perder um segundo daquele brilho.
Naquele momento me dei conta de que, eu estava perdida. Minha vida estava perdida e nada mais tínhamos a fazer.
Nada mais importava novamente. Naquele instante pude ver claramente o que eu fazia comigo mesma.como se minhas chances de escapar de tão alto risco estivessem derretendo e escorrendo por minhas mãos, e quietamente muda fiquei, enquanto escolhia fielmente, o motivo pelo qual viria a morrer.
Eu sabia que ia acordar da maldita lembrança assim que os olhos brilhantes e perversos se expandiram e se tornaram um único olho a me observar.
O sol ria, petulante de minha face contraída de dor, pude ver claramente , suas chamas se contraindo no universo, troçando de mim, enquanto eu queimava viva pelas lembranças.
Era suor, lágrimas, choro, fumaça, água, não sei.
Mas alguém apareceu, antes que eu apagasse nos braços de mais um completo estranho.
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