sábado, 7 de agosto de 2010

sinta-se melhor com o frio amigo

"A vontade de apodrecer tomou conta de mim rapidamente, facilmente, já que eu havia permitido a sua entrada. O vulto quebrou o espelho e os cacos caíram sobre mim, como se eu precisasse deles enquanto morria de frio.
Quase desejava, tocava com as pontas do cabelo. A dor atingiu meu coração num estalo, pouco me importou o frio de congelar as veias. Já não pertencia a nada, nem a ele. Errada, machucada, pisada, usada.
A pedra havia voltado em minhas mãos. O espelho quebrado era a prova incontestável de minha ultima maldade. O sangue já não atingia meus dedos, imóveis descontentes.
O vulto não pairava sobre mim, sua amada do espelho destruída. Assassina disse eu.eu mesma respondi.
Lá fora o vento uivava, como se tivesse sido abandonado pelo amor, ocorreu-me que poderia me tornar parte dele, tão logo meu copo se deteriorasse.
Ali estava meu final feliz.
Livre, livre de mim mesma.
A vontade de apodrecer tomou conta de mim rapidamente, facilmente, já que eu havia permitido sua entrada. Apodreci verdadeiramente. Por dentro.
Por fora, havia eu, e o vento que uivava."

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