segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Goodbye September

Setembro ta acabando e eu não me sinto nem um pouco mal por deixá-lo ir embora.
Na verdade, não faria nenhuma diferença pra mim, se este mês não tivesse existido. De vez em quando em vem um medo estranho. Medo de todos os meus meses futuros serem assim, mas eu tenho mesmo o habito de visualizar um futuro nublado e cinzento pra qualquer area da minha vida, o que pode definitivamente influenciar nesses pensamentos bobos.
Mas ando mesmo desligada do mue corpo e minha mente. como diria alguém que eu não lembro: pairando acima de minha cabeça.
Ontem trabalhei com crianças de 7 anos no culto da Igreja. eu tenho mesmo que parabenizar o pessoal que trabalha com elas, porque é um trabalho realmente incrível. O prédio da isntituição está em reformas e agora as salas de aulas tem ar condicionado ( o que é um grande alívio pra todo mundo) o que me fez tremer mesmo com um calor de 40 graus lá fora.
As crianças tem seu tipo expecífico de leitura bíblica , músicas, atividades e palavras, o que é muito mais interessante do que pode parecer pra você.
Enquanto recepcionava e cadastrava as crianças me aparece uma mãe e uma menininha morena do cabelo cacheado. Ela tinha resolvido ir mas ficou com medo e desatou a chorar. Coisa típica de crianças.
Ela se chama Milena.
Eu senti uma simpatia especial por essa menininha. A tia Luciana aqui disse que ia ser legal, mas quando virei as costas ela arrastou a mãe embora e desapareceu. Na metade do culto, ela volta. Se senta espremidinha no canto mais afastado da sala. Não fala com nenhuma criança , só fica lá, quietinha. Me fez lembrar de quando eu era assim, pequenininha.
Me sentei do lado dela e assisti o resto da lição, quando dava tempo eu conversava com ela e outras crianças que ficavam animadas de conversar com alguém "mais velha" que elas.
Descobri que a cor avorita da menina é laranja, que ela tem um irmão mais novo e que sua matéria favorita na escola é artes. ela ficou impressionada quando eu disse que amava aulas de história.
Tive uma vontade imensa de chorar num desses momentos em que nós perguntamos se alguma criança tem um pedido especial de oração.
inicialmente, ela não levantou a maozinha, com vergonha, mas quando metade das crianças ( Deus, como eu gosto de crianças) começou a pular e levantar os dedos, os braços, ou as cadeiras ( exageiro) ela mudou de idéia e levantou a sua.
No papel ela tentava escrever: " quero que meu pai volte pra casa"
Meu coração espremeu, apertou e protestou contra aquilo. Ela era só uam menininha.
e tinha pais separados.
ela devia estar com tanto medo.
Eu já senti esse medo também.
Pensei então em todas Milenas que existem na Terra e em todas as crianças com pedidos de oração que existem dentro de cada pessoa.
Pensei que um dia pelo menos , eu devia esquecer os meus pedidos e pedir pelos pedidos dos outros.
Dizer adeus a setembro, dizer adeus a Babí que fugiu de casa a 4 dias e desde entãio achamos que tenha sido raptada.
Tenho sido forte , ou pelo menos mentindo pra mim, dizendo que eu tenho sido. Essa cachorra, só um animalzinho doméstico tem sido parte da minha família por quase 8 anos.
E agora ela nunca mais vai voltar. Me pego pensando se ela esta com fome, me pego pensando se ela tem sede... Me pego pensando se algum carro bateu nela, pensando se alguém esta cuidando dela.
Pensando se ela também sente a minha falta.
E eu repito pra mim, é só mais um cachorro...
é só mais uma coisa que me foi tomada.
é difícil seguir em frente, porque, se um dia ela voltar pra casa, eu não vou mais estar parada.
Não no mesmo lugar.
E ela não pode ler, e duvido que possa entender um dia que passei horas em baixo do sol gritando seu nome, procurando por ela.
Duvido que ela possa entender que a família é incompleta sem ela.
Duvido que um dia ela saiba que eu escrevi aqui.
Por um segundo me deixe pensar que ela vai poder saber algum dia


querida Babý, eu te amo.
sinto muito por ter batido em você algumas vezes, e sinto muito por ter esquecido de colocar água pra você de madrugada.
Espero que possa me perdoar por ser muito chata e não gostar de brincar nem de correr. Me desculpa por aquelas vezes em que eu te dei banho e não te sequei, ou por não ter te salvado de ser atropelada pelas rodas do portão.
Me desculpa por não ter te levado pra passear mais vezes, por ter gritado com você mais vezes ainda. Me desculpa por não ter deixado você dormir na minha cama, me desculpa por não ter te ensinado a comer ração.
Me desculpa por não ter tornado a sa vida melhor, como você teve tornado pra mim.
eu espero que você tenha encontrado, seja lá o que vocês cachorros procuram, espero que saiba o quanto você foi amada, e que eu penso em você todos os dias mesmo sem contar isso pra ninguém.
Eu nunca vou esquecer da sua cabeça no meu colo nos dias em que eu estava chorando, em que eu estava triste. Nunca vou esquecer que você deitava na frente da casa pra me esperar voltar da escola, nunca vou esquecer, que você foi o bichinho mais adorável que já tive a chance de ter.
Babizinha, eu te amo muito.
Adeus setembro, adeus Babý

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