quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Meu menino do sorriso contente


Havia uma menina boba.


Ela tinha amizades bobas.

Comia comidas bobas.

Amava coisas bobas.



Um dia a menina boba,

Sofreu um grave acidente

Na mesma época conheceu,

Um menino do sorriso contente



Ela estava sempre preocupada

Era sempre acidente, acidente e acidente.

Nunca tempo sobrava

Pra seu grande amigo contente.



Seu amigo contente também se acidentara,

E de acidentes sempre lhe contara,

A menina acidentada, ao acidente mais amava

Do que ao ar que respirava.

O sorriso do contente quase nem aparecia

Mas ambos a vida levavam

Os tempos passavam, achando-se vivos.



Mas um dia o acidente acabou,

O relógio quebrou,

A Terra parou

E a menina derrubou

A menina não era mais boba,

Boba porém ficou,

E o sorriso se machucou.



Ela amava o amigo contente

Mas nem ela nem ele o estavam.

Correram então enfrente, e pegaram um trem

Que não ia pro Alasca.

A menina bobinha, tinha uma caixinha também bobinha

Ela era negra e continha, uma lembrança amassada de seu antigo acidente

O menino contente sabia, a ela reprovava, mas silenciosamente.



O trem era vermelho,

A menina era avessa ao vermelho, o menino sempre tentava

Pinta-la com as cores, mas parecia um espelho.



Andaram juntos, evitando o sol,

Deles já não mais gostavam

Abraçados entrelaçavam os braços

E o contente sorria de dente a dente

A menina ficava encantada



O menino contente era lindo,

Merecia, portanto, aquelas palavras mágicas

Contente ele sempre parecia,

Mas a ela ele não convencia

E seu coração quase explodia, do quanto amava o menino contente



Ninguém entende amor de irmão

Muito menos um menino contente e uma menina sem cor

Ele é grande e ela é pequena

Ele é autor e ela só tenta

Ele é um pedaçinho de felicidade

É a família que esquenta



Um belo dia estavam os dois

Abraçados numa Terra distante

A menina confessou, pois nunca havia falado

Que podia não ter amante,

Mas salvava á sua alma

Ter um amigo gigante.



De acidente nunca mais falaram

Por mais que estivessem acidentados

Viveram então assim

Eternamente abraçados.

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