A minha maçã
Como em tantas outras vezes
Começo por dizer pequenas palavras
Imortais, contagiantes, minhas:
Ela é linda
Sempre foi e não deixa de ser
Aos meus olhos
Que, mesmo cegos
Linda, a veem por aí
Até ao sorrir
Sorriso dúbio ou de astúcia incomum
Em rubor, tremulando
Mostrando em dentes o que mais quis
Não podem me ler
Aqueles que tentam, condenam
Mas a verdade, o único ínfimo pedaço de verdade que resta
É ela, e ela é linda
Quando os raios vierem
Por detrás da aurora
Para regar seu coração
Que, apesar da rima, não chora
Eu vou dizer,
Como digo em constância
Dos sentidos mais vis até os seus
O que compreendi
Que até longe de mim
Deve ser pra sempre ainda
E até mais, assim
Sempre, sempre linda
(Marco Aurélio Faleiro)

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